Com uma cadeira do PSB incluída na projeção inicial, o caminho de Marcos Santana passa pela disputa interna com Cláudio Mitidieri. Uma segunda vaga socialista pode surgir se o PL ficar sem representação ou se o PSD ou a União/PP eleger apenas um deputado. Mas o Republicanos também aparece, nessa leitura, como concorrente por essa cadeira. Se o PSB terminar com apenas uma, Marcos precisará liderar a votação da legenda para se eleger.
A pergunta que acompanha a candidatura de Marcos Santana a deputado federal parece simples: quantos votos ele precisa conquistar fora de São Cristóvão para se eleger?
Uma nova leitura da disputa acrescenta outra pergunta, talvez ainda mais decisiva: mesmo que consiga uma votação expressiva em Sergipe, Marcos será o mais votado do PSB?
A diferença importa porque Sergipe elege apenas oito deputados federais. O cenário inicial desta análise distribui sete vagas entre PSD, União/PP, a federação liderada pelo PT, Republicanos e PSB. A oitava depende, nessa leitura, do desempenho do PL. Tomando como hipótese que Cláudio Mitidieri lidere a votação socialista, o desafio de Marcos inclui uma disputa direta pela primeira posição interna ou a dependência de uma segunda cadeira para o partido.
Essa é uma análise de cenário. A distribuição de cadeiras apresentada a seguir é uma premissa política para examinar possibilidades, sem constituir resultado de pesquisa ou simulação completa da Justiça Eleitoral.
A conta começa com sete cadeiras projetadas
A avaliação apresentada para esta revisão considera a seguinte distribuição:
Partido ou federaçãoCadeiras projetadas no cenárioPSD2Federação União Progressista — União Brasil e PP2Federação Brasil da Esperança — PT, PCdoB e PV1Republicanos1PSB1Subtotal sem o PL7PL0 ou 1Total inicialmente projetado7 ou 8
As referências a “União” e “PT” precisam considerar suas respectivas federações: União Brasil e PP atuam juntos na União Progressista; PT, PCdoB e PV compõem a Brasil da Esperança. A composição consta do registro de federações do TSE.
O primeiro resultado dessa conta é objetivo: PSD, União/PP, federação liderada pelo PT, Republicanos e PSB somam sete cadeiras na projeção. Se o PL eleger um deputado, a conta fecha em oito.
Se o PL ficar sem representação, haverá uma cadeira cujo destino essa projeção ainda não define. Na leitura política proposta, Republicanos e PSB são os concorrentes considerados para conquistá-la e chegar a dois eleitos.
Ninguém tem vaga reservada antes da apuração. A inclusão de uma cadeira do PSB é uma premissa da análise, assim como as estimativas das demais legendas. O quadro organiza possibilidades; a distribuição efetiva dependerá dos votos.
Se todos confirmarem a projeção, o PSB fica com uma cadeira
Com duas cadeiras para o PSD, duas para a União/PP, uma para a federação liderada pelo PT, uma para o Republicanos, uma para o PSB e uma para o PL, as oito vagas estarão preenchidas.
Nesse cenário específico, não há espaço para um segundo deputado do PSB nem para um segundo do Republicanos.
Para Marcos, a consequência seria direta: terminar em segundo na legenda significaria ficar fora da relação inicial de eleitos, ainda que sua votação fosse expressiva.
Se Cláudio confirmar a expectativa de liderança interna, será ele o ocupante da cadeira socialista, observados os requisitos eleitorais. Marcos precisaria ultrapassá-lo e superar os demais integrantes da chapa.
Sem uma cadeira do PL, a disputa considerada é entre Republicanos e PSB
Se o PL não conseguir eleger um deputado e as outras projeções se mantiverem, o subtotal permanecerá em sete.
Dentro da leitura proposta, dois desfechos ganham destaque: o Republicanos passar de uma para duas cadeiras, mantendo o PSB com uma; ou o PSB alcançar duas, mantendo o Republicanos com uma.
Para Marcos, os efeitos seriam muito diferentes.
Uma segunda cadeira do Republicanos preservaria a necessidade de liderar o PSB. Uma segunda cadeira socialista permitiria a eleição de Marcos mesmo atrás de Cláudio, desde que estivesse entre os dois primeiros candidatos aptos da legenda.
Portanto, o PL ficar sem vaga pode ampliar a possibilidade de um segundo eleito do PSB, mas não assegura esse resultado. O Republicanos também pode ser beneficiado.
Mesmo com o PL elegendo, uma segunda cadeira do PSB continua possível
O desempenho do PL é apenas uma das variáveis. Também será necessário observar se PSD e União/PP confirmarão as duas cadeiras atribuídas a cada grupo na projeção.
Se o PL eleger um deputado, mas o PSD conquistar apenas uma cadeira, o subtotal cairá de oito para sete, mantidas as demais estimativas. O mesmo acontecerá se o PSD eleger dois e a União/PP ficar com apenas um.
Em qualquer dessas duas hipóteses, haverá novamente uma cadeira sem destino na conta inicial. Na leitura apresentada, ela poderá permitir que Republicanos ou PSB alcancem um segundo eleito.
Hipótese, mantidas as demais projeçõesCadeiras contabilizadas antes de definir a vaga restantePossibilidades destacadas nesta análisePL fica sem cadeira; PSD e União/PP elegem dois cada7Segunda cadeira do Republicanos ou do PSBPL elege um; PSD elege apenas um; União/PP elege dois7Segunda cadeira do Republicanos ou do PSBPL elege um; União/PP elege apenas um; PSD elege dois7Segunda cadeira do Republicanos ou do PSBPL elege um; PSD e União/PP elegem dois cada8PSB e Republicanos permanecem com uma cadeira cada
Essas possibilidades representam um recorte político, sem excluir matematicamente outras legendas. Sem uma estimativa completa dos votos por partido e federação, não é possível afirmar quem conquistaria a cadeira em cada hipótese.
Também não existe uma vaga previamente pertencente ao PL, ao PSD ou à União/PP que seja depois transferida. A expressão “vaga restante” serve apenas para comparar os cenários. Na apuração, todas as cadeiras serão definidas pelos cálculos do sistema proporcional.
A segunda cadeira do PSB, portanto, pode surgir por mais de um caminho. Em todos eles, o partido ainda precisará apresentar votação suficiente diante dos concorrentes, entre os quais o Republicanos recebe destaque nesta análise.
Por que Cláudio Mitidieri passa ao centro da discussão
A hipótese trazida para esta revisão é que Cláudio Mitidieri seja o principal nome do PSB em votação. É nesse sentido que se utiliza a expressão “cabeça de chapa”. Na eleição proporcional, ela não confere prioridade jurídica: a ordem dos candidatos é definida pelos votos.
Se essa expectativa se confirmar e o PSB eleger apenas um deputado, Cláudio ocupará a cadeira, desde que atendidos os requisitos eleitorais.
Para Marcos se eleger na mesma configuração, precisará ultrapassá-lo e terminar à frente dos demais candidatos da legenda.
O problema, portanto, deixa de ser apenas alcançar 40 mil, 50 mil ou 60 mil votos. Passa a ser saber se essa votação o colocará na posição necessária dentro do PSB.
Um exemplo ajuda a entender. Imagine, apenas como exercício, Marcos com 60 mil votos e Cláudio com 65 mil. Se o PSB conquistar uma única cadeira e ambos atenderem às exigências legais, Marcos ficará fora. Invertidas as votações, e sem outro candidato socialista acima dos dois, a cadeira será de Marcos.
Esses números são hipotéticos. Eles ilustram a diferença entre uma votação individual elevada e uma votação suficiente para ocupar a vaga obtida pelo partido.
Superar Cláudio pode ser necessário, mas não resolve tudo
A disputa interna não deve esconder a disputa entre as legendas.
Mesmo partindo da projeção de uma cadeira do PSB, é preciso reconhecer que ela poderá não se confirmar. Nesse caso, Marcos pode terminar à frente de Cláudio e não se eleger. Também pode superá-lo e ficar atrás de outro candidato socialista.
Na relação apresentada no material que embasa esta análise, o PSB reúne Angela Miranda, Breno Garibalde, Cláudio Mitidieri, Elber Batalha, Marcos Franco, Marcos Santana, Robson Viana, Rosangela Santos e Tathiane Araújo.
O destaque dado a Cláudio decorre da hipótese de liderança interna adotada nesta revisão. A disputa formal envolve toda a nominata.
Há, assim, duas condições que precisam coincidir: o PSB conquistar representação e Marcos terminar numa posição que caiba no número de vagas obtidas.
Resultado do PSBPosição necessária de Marcos, observados os requisitos eleitoraisNenhuma cadeiraA liderança interna, por si só, não produz mandatoUma cadeiraPrimeiro lugar entre os candidatos aptos da legendaDuas cadeirasUma das duas primeiras posições entre os candidatos aptosOs votos de Cláudio também ajudam o PSB
Existe uma característica do sistema proporcional que torna essa relação mais complexa: os candidatos concorrem pela posição interna, mas seus votos também se somam no desempenho do partido.
Uma votação forte de Cláudio pode melhorar a condição do PSB na disputa por cadeiras. O mesmo vale para Marcos e para os outros integrantes da chapa.
Se esse crescimento coletivo produzir duas vagas, a competição poderá terminar com ambos eleitos. Se produzir somente uma, a ordem interna decidirá quem a ocupará.
Por isso, falar em “disputa direta” descreve a comparação de votos dentro da legenda. Não equivale a afirmar que exista um rompimento político ou uma candidatura formal de um contra o outro.
Como as cadeiras são distribuídas
O quociente eleitoral resulta da divisão dos votos válidos pelo número de vagas. Em seguida, os votos de cada partido ou federação são divididos pelo quociente eleitoral para definir a distribuição inicial, desprezada a fração. Nessa etapa, os candidatos precisam alcançar ao menos 10% do quociente eleitoral.
Depois vêm as sobras, distribuídas por médias. A exigência de 80% do quociente para o partido e 20% para o candidato se refere à etapa inicial das sobras, e não à primeira distribuição por quociente partidário. Se persistirem vagas após o esgotamento dessa etapa, há distribuição por médias sem a barreira de 80% e 20%, conforme a interpretação do STF anotada pelo TSE. As regras estão nos artigos 106 a 109 do Código Eleitoral.
Para esta análise, a consequência é clara: não existe uma nota de corte individual única que assegure a eleição de Marcos independentemente do partido.
São Cristóvão segue importante, mas representa 3,56% do eleitorado
Os números utilizados no texto original são compatíveis com a distribuição do eleitorado divulgada em julho: Sergipe possui 1.740.240 eleitores, dos quais 62.018 estão em São Cristóvão. A cidade representa, portanto, aproximadamente 3,56% do total estadual. Os dados foram publicados pelo Evidencie-SE, com informações do TRE-SE.
Essa proporção mede o tamanho do eleitorado cadastrado. Não corresponde ao percentual dos votos válidos para deputado federal, que dependerá do comparecimento e dos votos brancos e nulos.
Ainda assim, a diferença de escala permanece. Marcos pode obter uma votação local muito forte e depender de um resultado relevante nos demais municípios para alcançar as faixas estaduais examinadas aqui.
O fato de ter governado São Cristóvão por dois mandatos dá contexto à força de sua base. Não permite converter automaticamente seus votos para prefeito em votos para deputado federal. São eleições com concorrentes, escolhas e dinâmicas diferentes.
Quanto uma grande votação local representaria
O levantamento histórico reunido no texto-base registra 7.514 votos para Gedalva Umbaúba em São Cristóvão em 2022, a maior votação federal no município naquela eleição. Também relaciona Nitinho, com 2.717; Capitão Samuel, com 2.610; Fábio Reis, com 2.495; e João Daniel, com 2.279.
Tomando essa referência, 10 mil votos locais para Marcos superariam a marca de Gedalva em 2.486 votos. Quinze mil representariam praticamente o dobro. Vinte mil corresponderiam a aproximadamente 2,66 vezes aquele resultado.
São medidas da dimensão de cada hipótese, sem representar uma previsão de que ela ocorrerá.
O novo cenário acrescenta um cuidado: mesmo uma marca local excepcional pode terminar em suplência se Marcos ficar atrás de outro candidato e o PSB conquistar apenas uma cadeira.
A conta dos votos de fora continua válida
Mantemos os três cenários do texto original: 10 mil, 15 mil e 20 mil votos em São Cristóvão, comparados com totais estaduais de 40 mil, 50 mil e 60 mil.
Votos em São CristóvãoVotos de fora para totalizar 40 milVotos de fora para totalizar 50 milVotos de fora para totalizar 60 mil10.00030.00040.00050.00015.00025.00035.00045.00020.00020.00030.00040.000
Essas faixas são exercícios aritméticos. Não são metas que garantam mandato, estimativas da votação de Cláudio ou projeções de resultado do PSB.
Com 15 mil votos locais, por exemplo, Marcos precisaria de outros 35 mil para totalizar 50 mil. Nesse caso, 70% de sua votação teria origem fora de São Cristóvão.
Mesmo com 20 mil votos na cidade, ainda seriam necessários 30 mil externos para chegar ao mesmo total estadual.
A revisão muda a interpretação desses números: depois de calcular o total de Marcos, ainda será necessário compará-lo ao dos concorrentes internos e verificar quantas cadeiras o partido conquistou.
O precedente de Eliane Aquino ajuda a entender o risco
Em 2022, Eliane Aquino recebeu 66.072 votos. João Daniel, do mesmo partido, alcançou 68.969. A validação dos votos de Eliane alterou a distribuição da bancada e beneficiou João Daniel, enquanto ela permaneceu na suplência. O episódio foi relatado pela Infonet ao tratar da decisão do TSE e pelo JOTA na confirmação do registro.
O caso mostra que uma candidatura pode contribuir de maneira decisiva para a votação coletiva e, ainda assim, não ocupar a cadeira.
É esse mecanismo que precisa ser observado no PSB. O exemplo histórico não prevê o resultado de Marcos nem de Cláudio, mas explica por que uma votação expressiva pode ter consequências diferentes para candidatos da mesma chapa.
Dois nomes fortes não significam duas cadeiras
A presença de Cláudio e Marcos pode fortalecer o conjunto do PSB. Entretanto, a existência de duas candidaturas competitivas não basta para assegurar duas vagas.
A mesma cautela vale para as outras legendas. A notoriedade dos concorrentes ajuda a formular uma leitura política, mas a distribuição final exige conhecer o total de votos de cada grupo e compará-lo aos demais.
É por isso que as projeções de PSD, União Progressista, Brasil da Esperança, Republicanos e PSB devem permanecer identificadas como hipóteses. Se o PL ficar sem vaga, ou se PSD ou União/PP elegerem apenas um deputado, poderá haver espaço para uma segunda cadeira socialista. O Republicanos também poderá conquistá-la. Se todas as projeções iniciais se confirmarem, incluindo um eleito do PL, o PSB ficará com uma única vaga.
Também não basta uma diferença numérica numa pesquisa espontânea para afirmar que a ordem interna está definida. Percentuais isolados exigem leitura conjunta da metodologia, da incerteza e da parcela de eleitores sem candidato. Esta revisão não apresenta uma nova pesquisa nem usa a expectativa de liderança de Cláudio como comprovação estatística.
O que a nova leitura muda para Marcos
A análise anterior enfatizava o tamanho da votação que Marcos precisaria obter fora de São Cristóvão. Essa questão permanece, mas agora aparece acompanhada de uma condição mais restritiva.
Se o PSB conquistar somente uma cadeira, Marcos terá de ser o primeiro da legenda. Se Cláudio liderar, será necessário ultrapassá-lo — e superar também qualquer outro candidato que esteja à frente.
Se o partido alcançar duas cadeiras, Marcos poderá ser eleito sem vencer Cláudio, desde que esteja entre os dois primeiros candidatos aptos. Isso poderá ocorrer nos cenários de reacomodação descritos, mas dependerá de o PSB conquistar a cadeira adicional diante do Republicanos e das demais legendas. Se a própria projeção de representação socialista falhar, nem a primeira posição interna será suficiente.
Essa diferença impede duas conclusões precipitadas: tratar uma votação forte em São Cristóvão como passaporte para Brasília ou considerar a eleição de Cláudio incompatível, em qualquer circunstância, com a de Marcos.
O resultado dependerá da combinação entre a votação individual, a classificação interna e a força coletiva do PSB diante das outras chapas.
A pergunta agora é dupla
Quantos votos Marcos Santana conseguirá fora de São Cristóvão?
E esses votos serão suficientes para colocá-lo na posição que o PSB poderá eleger?
A primeira pergunta mede a dimensão estadual de sua candidatura. A segunda pode definir o mandato.
No cenário proposto, uma cadeira do PSB já integra a projeção inicial. A segunda depende de uma combinação diferente: o PL ficar sem representação ou, mesmo elegendo um, PSD ou União/PP não confirmarem suas duas vagas. E depende também de o PSB conquistar essa cadeira adicional, que poderá ficar com o Republicanos ou outra legenda.
Para Marcos, isso significa duas possibilidades distintas: terminar à frente de Cláudio e dos demais integrantes numa chapa que eleja um; ou ficar entre os dois primeiros de um PSB que consiga eleger dois. A força dos concorrentes externos ajuda a definir qual dessas situações se tornará realidade.
São Cristóvão poderá entregar uma votação importante a Marcos. Para que ela se transforme em representação na Câmara, será necessário que o resultado estadual o coloque dentro das vagas do partido. Se houver apenas uma, o confronto de votos com Cláudio Mitidieri poderá decidir qual dos dois chega a Brasília.
No próximo capítulo — “Gedalva Umbaúba: os números que mostram sua força dentro de São Cristóvão” — O Arroto examinará a trajetória eleitoral da vice-prefeita e o peso de sua votação nas disputas municipais e para a Câmara dos Deputados.

