Gedalva Umbaúba construiu uma trajetória de ascensão na política de São Cristóvão. Saiu de 592 votos para vereadora, disputou duas vezes a Prefeitura, chegou a 12.319 votos, concorreu à Câmara Federal e tornou-se vice-prefeita. Em 2026, porém, enfrenta três desafios ao mesmo tempo: preservar sua votação em São Cristóvão, crescer fora da cidade e sobreviver à disputa interna de uma federação com nomes eleitoralmente muito mais fortes. E existe ainda 2028: depois de deixar a oposição, integrar a chapa governista e romper posteriormente com o grupo, seu eventual retorno ao centro de uma candidatura oposicionista deixou de ser um caminho simples.
Poucos personagens passaram por tantas posições diferentes no tabuleiro político de São Cristóvão quanto Gedalva Umbaúba.
Foi vereadora.
Disputou duas vezes a Prefeitura.
Concorreu a deputada federal.
Enfrentou o grupo de Marcos Santana.
Depois se aliou a ele.
Foi eleita vice-prefeita.
Rompeu com o agrupamento.
E agora retorna à disputa federal.
Sua trajetória mostra crescimento político.
A eleição de 2026 mostrará até onde esse crescimento também existe nas urnas.
De 592 para mais de 12 mil votos
Gedalva começou sua trajetória eleitoral em 2012, quando foi eleita vereadora com 592 votos.
Em 2016, disputou a Prefeitura e recebeu 5.152 votos.
Quatro anos depois, voltou a concorrer e chegou a 12.319 votos. Esses números constam inclusive do histórico institucional publicado pelo município.
Perdeu as duas eleições para prefeita, mas cresceu eleitoralmente.
De uma candidatura de 592 votos passou a reunir mais de 12 mil pessoas em torno do próprio nome.
O passo seguinte seria tentar transportar essa força municipal para uma eleição estadual.
2022 revelou força — e também dependência
Em 2022, Gedalva disputou uma cadeira de deputada federal.
Recebeu 11.176 votos em Sergipe.
Mas 7.514 vieram somente de São Cristóvão. O restante de Sergipe entregou apenas 3.662 votos.
Isso significa que aproximadamente 67,2% de toda a votação estadual de Gedalva veio de uma única cidade.
Esse é o principal limite demonstrado por sua primeira candidatura federal.
Ela provou possuir voto próprio em São Cristóvão.
Ainda não provou possuir uma candidatura estadualizada.
E essa continua sendo uma das principais perguntas de 2026:
Gedalva conseguiu crescer fora de São Cristóvão?
A própria trajetória mostra que voto municipal não se transfere automaticamente
Existe uma comparação importante.
Em 2020, Gedalva recebeu 12.319 votos para prefeita.
Dois anos depois, disputando deputada federal, conseguiu 7.514 votos dentro da mesma cidade.
Isso não significa simplesmente perda de eleitores.
São eleições diferentes, cargos diferentes e adversários diferentes.
Mas demonstra que voto de prefeito não migra automaticamente para uma disputa proporcional.
Essa regra vale para Gedalva.
E vale também para qualquer liderança municipal que tente transformar força local em mandato estadual ou federal.
A trajetória eleitoral Eleição Disputa Resultado 2012 Vereadora 592 votos — eleita 2016 Prefeita 5.152 votos 2020 Prefeita 12.319 votos 2022 Deputada federal 11.176 no estado / 7.514 em São Cristóvão 2024 Vice-prefeita chapa eleita com 25.872 votos 2026 Deputada federal PP 1133
A própria campanha de 2026 apresenta Gedalva como candidata a deputada federal pelo PP, número 1133.
2024 mudou seu lugar no tabuleiro
Depois de ter enfrentado o grupo de Marcos Santana, Gedalva aceitou integrar em 2024 a chapa de Júlio Nascimento.
A chapa venceu.
Júlio e Gedalva receberam 25.872 votos, ou 53,74% dos válidos. Diego Prado terminou em segundo lugar, com 20.802 votos, ou 43,21%.
Mas os 25.872 votos não podem ser considerados votos individuais de Gedalva.
São votos da chapa majoritária.
Por isso, sua última referência individual numa eleição federal continua sendo:
11.176 votos em Sergipe e 7.514 em São Cristóvão.
Agora Marcos disputa exatamente o mesmo voto
Em 2022, Gedalva conseguiu seus 7.514 votos locais sem Marcos Santana concorrendo contra ela para deputado federal.
Em 2026, ele também está na disputa. A série O Jogo do Poder já registrou os dois como candidaturas diretamente ligadas a São Cristóvão na corrida pela Câmara.
Isso muda a eleição local.
Gedalva precisa tentar preservar sua principal base ao mesmo tempo em que necessita crescer no restante de Sergipe.
Se ficar significativamente abaixo dos 7.514 votos que conseguiu na cidade quatro anos atrás, precisará compensar essa diferença em outros municípios para superar os 11.176 votos estaduais de 2022.
Essa é sua primeira grande conta.
A segunda está dentro da própria federação
Gedalva concorre pelo PP dentro da Federação União Progressista.
Na disputa federal aparecem nomes como:
PP
- Andréa Coração Valente
- Fiote
- Gedalva Umbaúba
- Gustinho Ribeiro
- Levi Oliveira
União Brasil
- Alex Pintado
- Capitão Samuel
- Sheyla Galba
- Yandra Moura
A relação de candidaturas de Sergipe foi publicada a partir dos dados do TSE atualizados em setembro.
É uma nominata que muda completamente a análise da candidatura.
Gedalva disputa por si — mas seus votos também trabalham para outros
No sistema proporcional, não basta observar a votação individual.
Os votos dos candidatos e da legenda são somados para determinar quantas cadeiras cada partido ou federação poderá conquistar. Depois, as vagas ficam com os candidatos mais votados dentro daquele grupo, observadas as exigências eleitorais.
É por isso que a candidatura de Gedalva possui também um papel coletivo.
Se a Federação União Progressista estiver tentando alcançar votação suficiente para conquistar duas cadeiras, cada voto recebido por Gedalva entra nessa conta.
Mesmo que ela própria não termine entre os dois primeiros colocados internamente.
Em outras palavras:
os votos de Gedalva podem ajudar a eleger outros candidatos da federação.
O próprio TSE explica que, numa eleição proporcional, o voto dado a um candidato que não obtenha mandato pode contribuir para a eleição de outro integrante da mesma agremiação.
E o histórico mostra o tamanho da disputa interna
Os resultados de 2022 não podem ser transportados automaticamente para 2026.
Mas ajudam a mostrar de onde alguns desses candidatos partiram.
Na última eleição federal:
- Yandra Moura: 131.471 votos
- Gustinho Ribeiro: 71.831 votos
- Capitão Samuel: 38.151 votos
- Gedalva Umbaúba: 11.176 votos
Yandra e Gustinho foram eleitos. Capitão Samuel terminou como suplente.
A diferença histórica é grande.
Isso não determina a ordem de 2026.
Mas demonstra que Gedalva precisaria produzir um crescimento eleitoral muito expressivo para mudar de patamar dentro da própria nominata.
Por isso, sua candidatura pode acabar tendo uma função muito importante para a federação mesmo sem resultar numa cadeira pessoal.
Se conseguir 10 mil, 12 mil, 15 mil ou mais votos, eles podem contribuir para que o bloco alcance a votação necessária para aumentar sua representação.
A questão posterior será saber quem estará na frente dentro da própria federação para ocupar essas vagas.
O problema continua sendo sair de São Cristóvão
Para mudar de patamar, Gedalva precisa fazer duas coisas simultaneamente:
preservar parte importante dos 7.514 votos de São Cristóvão e crescer fortemente fora da cidade.
Em 2022, todo o restante de Sergipe deu a ela apenas 3.662 votos.
É esse número que precisa mudar se a candidatura quiser assumir outra dimensão.
A estratégia de se apresentar como “Mulher da Água”, além da agenda voltada à proteção das mulheres, mostra uma tentativa de construir uma identidade que possa circular além do município. A própria campanha utiliza esses temas como eixos centrais em 2026.
Mas existe um terceiro problema: 2028
A eleição federal não termina politicamente em outubro.
O resultado de Gedalva também será observado pelo que pode representar para uma eventual nova disputa pela Prefeitura em 2028.
Só que existe uma diferença fundamental em relação às eleições anteriores.
Gedalva não volta para a oposição exatamente no mesmo lugar de onde saiu.
Ela fez oposição ao grupo de Marcos Santana.
Depois deixou esse campo para integrar, como vice, a chapa governista de 2024.
Foi eleita.
Posteriormente rompeu.
Essa sequência muda as relações políticas.
Enquanto Gedalva estava na chapa governista, outro nome ocupou o espaço da oposição numa eleição majoritária:
Diego Prado.
E Diego Prado não pode ser retirado da conta de 2028
Este é um ponto fundamental para compreender o problema político que Gedalva poderá enfrentar.
Em 2024, foi Diego quem liderou a principal candidatura adversária de Júlio Nascimento.
Recebeu 20.802 votos, correspondentes a 43,21% dos votos válidos.
A diferença para Júlio foi de apenas 5.070 votos.
Esses 20.802 votos não podem ser tratados como propriedade permanente de Diego nem automaticamente transferidos para outra eleição.
A própria série já fez essa ressalva ao analisar os limites da transferência eleitoral.
Mas existe um fato político objetivo:
Diego chega à discussão sobre 2028 com a demonstração majoritária mais recente do campo oposicionista nas urnas de São Cristóvão.
Enquanto Gedalva estava compondo a chapa governista, Diego foi quem enfrentou o grupo na disputa pela Prefeitura.
Isso lhe dá um patrimônio político que precisará ser considerado em qualquer tentativa futura de construção de uma candidatura única de oposição.
Uma boa eleição de Gedalva em 2026 não resolve automaticamente 2028
É aqui que as duas eleições se encontram.
Gedalva pode sair de 2026 com uma votação maior que os 11.176 votos de 2022.
Pode repetir esse desempenho.
Pode terminar abaixo.
Cada cenário terá consequências diferentes sobre sua força de negociação.
Mas nenhum resultado, sozinho, significa que em 2028 todas as forças oposicionistas estarão naturalmente dispostas a se reunir em torno de seu nome.
Porque a discussão não será apenas:
“Quantos votos Gedalva teve?”
Também haverá outra:
“Qual projeto representará a oposição na eleição municipal?”
E Diego Prado estará inevitavelmente nessa conversa por ter liderado a candidatura que recebeu mais de 20 mil votos contra o grupo governista em 2024.
Esse é talvez o maior complicador para Gedalva olhando para 2028
Quando Gedalva deixou a oposição em 2024 para integrar a chapa de Júlio, aquele espaço não ficou vazio.
Diego o ocupou eleitoralmente.
Por isso, romper com o governo não significa simplesmente recuperar a posição anterior.
Gedalva terá de reconstruir pontes.
Conversar com lideranças que permaneceram na oposição.
Disputar espaço com projetos que continuaram existindo sem ela.
E encontrar uma forma de conciliar sua própria ambição política com o patrimônio eleitoral construído por Diego Prado em 2024.
Isso torna uma eventual reorganização oposicionista para 2028 mais complexa.
O problema da oposição pode não ser falta de nomes.
Pode ser justamente como construir unidade entre nomes que possuem projetos próprios.
2026 pode fortalecer Gedalva — sem resolver esse impasse
Uma votação expressiva para deputada federal certamente mudaria sua posição nas negociações políticas futuras.
Uma votação menor que a de 2022 teria outro impacto.
Mas nenhum desses resultados apaga o que aconteceu entre 2024 e 2026.
Gedalva esteve na chapa governista.
Diego comandou a candidatura adversária.
Depois Gedalva rompeu com o grupo pelo qual foi eleita.
São fatos políticos que estarão sobre a mesa quando começarem as articulações de 2028.
Por isso, o resultado de outubro deverá ser lido em duas dimensões.
A primeira é eleitoral:
quantos votos Gedalva ainda possui?
A segunda é política:
o que essa votação permitirá que ela negocie para 2028?
São perguntas diferentes.
A urna de 2026 terá quatro respostas importantes
Para medir o verdadeiro desempenho de Gedalva, será necessário observar:
1. São Cristóvão
A referência são os 7.514 votos de 2022.
2. Restante de Sergipe
A referência são os apenas 3.662 votos obtidos fora da cidade.
3. Total estadual
A referência são os 11.176 votos de 2022.
4. Posição dentro da federação
Esse número mostrará se sua votação a aproximou efetivamente de uma cadeira ou se funcionou principalmente como força de soma para ajudar a Federação União Progressista a conquistar vagas.
Depois disso começará uma quinta análise:
o que 2026 mudou no tabuleiro de 2028?
Gedalva cresceu politicamente. Agora precisa mostrar quanto desse crescimento virou voto
A trajetória é inegável.
592 votos para vereadora.
5.152 na primeira disputa pela Prefeitura.
12.319 na segunda.
11.176 para deputada federal.
Vice-prefeita eleita em 2024.
Nova candidatura federal em 2026.
Mas eleição proporcional possui uma matemática própria.
Não basta ter nome.
Não basta possuir estrutura.
E não basta uma federação forte.
Gedalva precisa crescer muito fora de São Cristóvão e, ao mesmo tempo, competir internamente com candidaturas que já apresentaram votações bastante superiores à sua.
Se não alcançar uma das cadeiras, seus votos ainda poderão ser valiosos para a federação e contribuir para que outros nomes sejam eleitos.
E mesmo uma excelente votação deixará outra batalha para depois.
Porque o caminho de volta a uma eventual candidatura à Prefeitura não depende apenas dela.
Diego Prado saiu de 2024 com 20.802 votos e com a condição objetiva de ter liderado a principal candidatura adversária ao grupo governista naquele pleito.
Gedalva, por sua vez, terá de demonstrar nas urnas de 2026 qual é hoje sua dimensão eleitoral e depois reconstruir relações para o próximo ciclo municipal.
Por isso, 2028 pode ser especialmente complexo para o campo oposicionista.
Não necessariamente pela ausência de força.
Mas pela existência de mais de um projeto reivindicando espaço dentro dela.
Em 2026, a pergunta será quantos votos Gedalva consegue reunir.
Depois da urna, começará outra:
esses votos serão suficientes para colocá-la novamente no centro de uma oposição que, enquanto ela esteve do outro lado, construiu novas referências e novos projetos?
Essa talvez seja uma das questões mais importantes deixadas por sua trajetória.
Próximo capítulo
Marcos x Gedalva: quem terá mais votos para federal dentro de São Cristóvão?
De um lado, os 7.514 votos federais de Gedalva em 2022.
Do outro, Marcos Santana entra na disputa depois de dois mandatos como prefeito e da construção do grupo que manteve a Prefeitura em 2024.
O próximo capítulo colocará os dois frente a frente.
Porque vencer São Cristóvão não garante Brasília.
Mas mostrará quanto cada um ainda controla eleitoralmente no território onde suas histórias políticas se cruzam.

