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Por que a eleição de 2026 pode ser histórica para São Cristóvão - Jogo do Poder — Capítulo 1/25

Com 62 mil eleitores e candidaturas diretamente ligadas à cidade para a Assembleia Legislativa e a Câmara Federal, São Cristóvão chega a 2026 diante da possibilidade de ampliar seu peso político em Sergipe. Mas a eleição também será o primeiro grande teste das forças que já se movimentam pensando em 2028.

11 de set., 11:40 São Cristóvão 0 leituras

Por Redação O Arroto

Por que a eleição de 2026 pode ser histórica para São Cristóvão - Jogo do Poder — Capítulo 1/25
Foto: Redação O Arroto

A eleição de 4 de outubro pode representar muito mais para São Cristóvão do que a escolha de governador, senadores e deputados. Para a Cidade Mãe, 2026 reúne uma combinação que poucas eleições recentes apresentaram: crescimento do eleitorado, candidaturas locais competitivas, grandes projetos de infraestrutura em andamento e uma disputa política municipal que já começa a apontar para 2028.

São Cristóvão chega ao pleito com 62.018 eleitores, segundo dados divulgados pelo TRE-SE. É o quinto maior colégio eleitoral de Sergipe, atrás apenas de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Lagarto e Itabaiana. Considerando os 1.740.240 eleitores aptos no estado, aproximadamente 3,56% de todos os votos sergipanos estão concentrados no município.

Esse tamanho eleitoral não é suficiente, sozinho, para garantir uma cadeira na Câmara dos Deputados. Mas é grande o bastante para funcionar como plataforma de lançamento de uma candidatura estadual e, principalmente, para dar vantagem a candidatos que consigam combinar uma votação expressiva em casa com crescimento no restante de Sergipe.

É exatamente aí que começa o Jogo do Poder de 2026.

Três projetos diretamente ligados à política de São Cristóvão

Entre os personagens centrais desta eleição estão Paulo Júnior, candidato à reeleição para deputado estadual; Marcos Santana, candidato a deputado federal pelo PSB; e Gedalva Umbaúba, candidata a deputada federal pelo PP.

Marcos teve sua candidatura deferida pela Justiça Eleitoral e disputa com o número 4000. Ele governou São Cristóvão após vencer as eleições municipais de 2016 e 2020.

Gedalva, por sua vez, chega a 2026 depois de uma longa trajetória na política municipal. Foi vereadora, disputou a Prefeitura e, em 2022, concorreu a deputada federal, antes de ser eleita vice-prefeita na chapa de Júlio Nascimento em 2024. Agora está no PP e volta a disputar uma cadeira na Câmara Federal com o número 1133.

Paulo Júnior possui uma diferença importante em relação aos dois: já transformou sua força eleitoral em São Cristóvão em mandato estadual.

Em 2022, recebeu 27.947 votos em Sergipe. Nada menos que 12.968 vieram de São Cristóvão, equivalentes a 46,4% de toda a sua votação estadual. Também conseguiu votos nos 75 municípios sergipanos.

Dentro de São Cristóvão, Paulo foi disparado o candidato a deputado estadual mais votado naquela eleição. O segundo colocado teve 2.529 votos.

Esse dado ajuda a entender por que 2026 merece atenção especial.

A cidade já demonstrou capacidade de concentrar votos

Os números de 2022 provaram que São Cristóvão consegue produzir uma votação suficiente para ser a principal base eleitoral de um deputado estadual.

O desafio agora é saber se essa capacidade pode ser reproduzida — e ampliada.

Para Paulo Júnior, a pergunta será:

ele conseguirá manter a hegemonia local demonstrada em 2022 e, ao mesmo tempo, crescer fora da cidade?

Para Marcos Santana e Gedalva Umbaúba, o desafio é ainda maior.

Deputado federal é eleito pelo sistema proporcional estadual. Portanto, mesmo uma votação excepcional dentro de São Cristóvão provavelmente precisará ser complementada por dezenas de milhares de votos espalhados por outros municípios, dependendo também do desempenho das respectivas legendas.

A verdadeira batalha de Marcos e Gedalva, portanto, não termina nos limites da cidade.

São Cristóvão precisa ser a base. Sergipe precisa completar a eleição.

Mas existe uma eleição escondida dentro da eleição

Os resultados de 2026 também permitirão medir algo que não estará escrito na urna:

quem realmente lidera politicamente São Cristóvão hoje?

A eleição municipal de 2024 deixou duas grandes forças claramente identificáveis.

Júlio Nascimento venceu com 25.872 votos, ou 53,74% dos válidos. Diego Prado terminou com 20.802 votos, ou 43,21%.

A diferença foi de apenas 5.070 votos.

Portanto, embora tenha vencido de maneira clara, o grupo governista não saiu de 2024 diante de uma oposição eleitoralmente insignificante. Mais de 20 mil sancristovenses escolheram Diego.

Dois anos depois, porém, aquele desenho mudou.

Gedalva, que foi eleita vice-prefeita junto com Júlio, rompeu politicamente com o agrupamento e, em junho deste ano, declarou apoio a Valmir de Francisquinho na disputa estadual.

Isso significa que a eleição de 2026 encontra São Cristóvão com um tabuleiro muito mais fragmentado do que aquele observado em 2024.

E essa fragmentação será medida nas urnas.

Marcos x Gedalva será uma eleição particular

Embora os dois disputem uma vaga contra candidatos de todo Sergipe, haverá inevitavelmente uma comparação dentro de São Cristóvão.

Quantos votos Marcos receberá?

Quantos votos Gedalva receberá?

Quem vencerá dentro do município?

Onde cada um será mais forte?

Essa disputa poderá produzir consequências políticas mesmo que nenhum dos dois seja eleito.

Imagine, por exemplo, que Gedalva consiga superar Marcos dentro de São Cristóvão. Ela poderá sair de 2026 reivindicando a condição de uma das principais lideranças eleitorais individuais da cidade.

Se acontecer o contrário e Marcos construir uma vantagem expressiva, o resultado fortalecerá o argumento de que o agrupamento político que governa o município continua possuindo enorme capacidade de mobilização.

Por isso, 2026 será também uma espécie de primeira pesquisa de 2028 realizada com votos reais.

E Diego Prado estará na urna sem ser candidato

Diego Prado não disputa mandato nesta eleição, mas seu grupo político também será testado.

As lideranças que caminham com ele apoiam candidaturas estaduais e federais. Assim, será possível comparar o desempenho desses nomes nos territórios onde Diego foi forte em 2024.

A urna começará a responder essa pergunta.

A eleição acontece justamente quando São Cristóvão entra em uma nova fase

Existe ainda uma razão econômica e administrativa para acompanhar essa eleição.

São Cristóvão possui atualmente projetos estruturantes que dependem diretamente da relação entre Município, Governo do Estado e Governo Federal.

A Rodovia do Turismo, por exemplo, recebeu ordem de serviço em julho. O investimento é de R$ 32,118 milhões, com 10,25 quilômetros de extensão, criando uma nova ligação entre São Cristóvão e a região do Aeroporto Internacional de Aracaju. O projeto prevê ciclovia, passeios, drenagem e outras estruturas.

O município também está incluído no projeto do VLT da Grande Aracaju, que pretende aproveitar a malha ferroviária existente para conectar São Cristóvão, Aracaju, Laranjeiras e Nossa Senhora do Socorro. Em julho foi assinado acordo de cooperação técnica entre os governos federal e estadual para avançar nos estudos e procedimentos necessários.

Além disso, a Prefeitura já informou ter assegurado mais de R$ 130 milhões em investimentos do Novo PAC para áreas como Centro Histórico, Rosa Maria, Eduardo Gomes, Tijuquinha, Marcelo Déda e Luiz Alves.

É justamente nesse tipo de projeto que representação política importa.

Deputados não executam obras municipais diretamente, mas podem atuar em emendas, orçamento, interlocução com ministérios e secretarias, defesa de projetos e articulação institucional.

Paulo Júnior oferece um exemplo concreto dessa capacidade. Levantamento divulgado em agosto, baseado em informações de seu gabinete, aponta R$ 14,02 milhões em emendas empenhadas e pagas durante seu mandato, dos quais R$ 7,135 milhões teriam sido destinados a São Cristóvão, incluindo Prefeitura, instituições e associações.

Esse número também precisará ser analisado detalhadamente ao longo desta série, separando recurso anunciado, empenhado, pago e efetivamente transformado em serviço ou equipamento.

O melhor cenário para São Cristóvão não precisa ser o melhor cenário para um grupo político

Esse talvez seja o ponto mais importante deste primeiro capítulo.

Do ponto de vista eleitoral, Marcos, Gedalva, Paulo e os grupos que apoiam outros candidatos são adversários.

Do ponto de vista institucional, entretanto, quanto maior a representação política de São Cristóvão, maior pode ser sua capacidade de disputar recursos estaduais e federais.

É perfeitamente possível imaginar uma cidade com representantes de grupos adversários competindo para demonstrar quem consegue trazer mais investimentos.

Essa disputa, quando acontece dentro das regras democráticas e com fiscalização pública, pode beneficiar o município.

O problema aparece quando a representação política existe apenas durante a campanha.

Por isso, O Arroto acompanhará nesta série não apenas quem promete, mas quem já entregou, quanto entregou, de onde veio o dinheiro e onde foi aplicado.

O primeiro placar do Jogo do Poder

Neste início da campanha, ainda é cedo para transformar movimentações políticas em previsão eleitoral.

Mas algumas condições objetivas já estão estabelecidas.

Paulo Júnior parte de uma base comprovada: quase 13 mil votos em São Cristóvão em 2022 e presença eleitoral nos 75 municípios.

Marcos Santana possui dois mandatos de prefeito no currículo, estrutura política municipal e candidatura federal deferida. Agora precisa demonstrar capacidade de transformar liderança municipal em votação estadual.

Gedalva Umbaúba já disputou eleição federal, possui trajetória municipal própria e chega a 2026 tentando construir um caminho político independente depois do rompimento com o grupo governista.

Diego Prado, mesmo fora da urna, terá sua capacidade de transferência eleitoral medida pelo desempenho dos candidatos apoiados por seu agrupamento.

E Júlio Nascimento terá diante de si outro teste: saber se a votação que lhe deu a Prefeitura em 2024 continua organizada politicamente dois anos depois.

Não há, até a manhã desta quinta-feira, 10 de setembro, fato novo suficientemente robusto nas fontes consultadas que altere esse desenho básico em relação ao cenário analisado anteriormente. O dado mais importante permanece sendo a consolidação formal das candidaturas e o início da fase em que mobilização, alianças territoriais e capacidade de expansão fora de São Cristóvão começam a valer mais do que lançamento de nomes.

Faltam 24 capítulos

A partir de hoje, O Arroto acompanhará diariamente esse tabuleiro até 4 de outubro.

Não será uma série destinada a dizer ao eleitor em quem votar.

Será uma tentativa de responder, com números:

Quem realmente tem votos?

Quem possui apenas estrutura?

Quem cresceu?

Quem perdeu território?

Quem consegue transferir voto?

Quem depende excessivamente de São Cristóvão?

E, principalmente, o que a cidade poderá ganhar com os mandatos que sairão das urnas?

Porque, depois que a campanha terminar, continuará existindo uma pergunta muito maior que qualquer candidatura:

qual será o peso político de São Cristóvão a partir de 2027?

Amanhã, no Capítulo 2 — “Como São Cristóvão votou nos últimos 10 anos”: vamos reconstruir as eleições de 2016, 2018, 2020, 2022 e 2024, mostrar como o eleitorado mudou, quem cresceu, quem desapareceu e como nasceu o atual mapa do poder municipal.

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Fontes consultadas para esta versão