Uma semana após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25/10), o mercado financeiro já especula, segundo o Metrópoles, quem será o novo ministro da Fazenda, uma das pastas mais importantes da Esplanada e central para a organização das contas públicas no governo Lula 4.
Atualmente o ministério é comandado por Dario Durigan, que assumiu no começo do ano após Fernando Haddad deixar a função para concorrer ao governo de São Paulo. Quem comandar a pasta terá a missão de transmitir credibilidade fiscal, realizar ajustes orçamentários e manter compromissos anunciados durante a campanha.
Segundo a avaliação apresentada pelo Metrópoles, a pressão sobre quem comandar a pasta será maior do que a enfrentada por Haddad ao suceder Paulo Guedes, ministro da Economia de Jair Bolsonaro (PL). A reportagem lembra o esforço de reequilíbrio das contas naquele período e relaciona o desafio atual às medidas anunciadas por Lula na campanha.
Os principais cotados
Entre os nomes cotados na reportagem estão Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí; Dario Durigan, atual ministro da Fazenda; Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento; e Geraldo Alckmin, vice-presidente da República.
Rafael Fonteles (PT) ganhou protagonismo no segundo turno da campanha ao se aproximar do presidente. Formado em matemática pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), ocupou a vaga de secretário de Fazenda e presidiu o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz). Fonteles foi reeleito governador em 1º turno com 70,90% dos votos, o maior percentual entre os governadores brasileiros, segundo o Metrópoles. O apoio recebido nas urnas pesa na avaliação sobre uma eventual saída do governo estadual. Em entrevistas, disse não ter discutido o assunto com o presidente; interlocutores ressaltam o risco de abandonar o governo estadual para aceitar um ministério.
A reportagem destaca a tradição de votação expressiva em Lula no Piauí. Em 2022, o então governador Wellington Dias apoiou o petista, foi eleito senador e depois convidado para comandar o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, cargo que ainda ocupa. O Metrópoles apresenta Fonteles como um nome da confiança do presidente, registra que esteve entre os mais premiados da graduação e avalia que seu preparo poderia agradar tanto ao governo quanto ao mercado.
Dario Durigan, outro nome estudado pelo governo conforme a reportagem, é apresentado pelo Metrópoles como figura leal ao presidente, com boa interlocução com o mercado e experiência na liderança da equipe econômica. Durigan já afirmou que Fonteles seria um "excelente nome" e que ainda não conversou com Lula sobre o futuro da Fazenda. No serviço público, ocupou diversos cargos, trabalhou na Advocacia-Geral da União (AGU) e foi secretário-executivo da Fazenda durante a maior parte do governo Lula 3, como número dois de Haddad. No setor privado, foi diretor de políticas públicas do WhatsApp. Durante sua gestão no ministério, o governo editou a Medida Provisória que proíbe a atuação das casas de apostas online, as bets, no Brasil. Durigan também participou dos anúncios do Desenrola e do Desenrola MEI.
Bruno Moretti, atual ministro do Planejamento e Orçamento, tem formação em economia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e é servidor de carreira do MPO desde 2004. Antes, atuou na Casa Civil e no conselho da Petrobras. Segundo o Metrópoles, tem trânsito no Congresso e no mercado e é reconhecido pelo perfil técnico. Moretti articulou pautas importantes com o Legislativo, como a retirada do mínimo de saúde e educação do cálculo das receitas, medida que pode reduzir as despesas do governo em aproximadamente R$ 10 bilhões. Segundo o Metrópoles, a iniciativa evita que o governo tenha de elevar o valor destinado aos pisos mínimos de saúde e educação em razão da alta da arrecadação com petróleo, motivada pela guerra no Oriente Médio.
Geraldo Alckmin, vice-presidente, que foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) durante grande parte do governo Lula 3, também aparece entre os cotados. Na avaliação apresentada pela reportagem, seu nome agrada ao mercado por seu perfil técnico e foco na organização das contas públicas, mas a disponibilidade exigida pelo cargo e as demandas da vice-presidência, para a qual foi reeleito na chapa de Lula, podem limitar sua atuação em conversas com o mercado financeiro e o Congresso. A condução de negociações tarifárias com os Estados Unidos também reforçou seu destaque para a vaga.
O cenário de escolha para a Fazenda ocorre em um momento em que o mercado aponta a necessidade de ajustes fiscais e de reafirmação de compromisso com a credibilidade orçamentária. O escritor e consultor de risco Thomas Traumann chegou a classificar o posto como "o pior emprego do mundo" em livro.
Foto: Pedro França/Agência Senado — arquivo de 27/01/2023. Licença CC BY 2.0: https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/.
Fonte: Metrópoles

