JustiçaVERIFICAÇÃO PARCIAL

Motorista que atropelou manifestante em BH é solto sem fiança

Liberdade provisória foi concedida após audiência de custódia; condutor terá tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar e obrigação de manter distância da vítima

19 de out., 18:20 BR
Motorista que atropelou manifestante em BH é solto sem fiança
Foto: Redes sociais/ Reprodução

A Justiça concedeu liberdade provisória, sem pagamento de fiança, ao homem de 41 anos preso em flagrante sob suspeita de tentativa de homicídio após avançar com um carro contra manifestantes durante um ato pró-Lula no Centro de Belo Horizonte. A audiência de custódia ocorreu na segunda-feira (19/10); o atropelamento foi registrado no sábado (17/10) no cruzamento das ruas Tupinambás e da Bahia.

Segundo depoimentos de testemunhas e policiais, o motorista dirigia um Volkswagen Up amarelo quando avançou contra pedestres que atravessavam a via. Um homem de 67 anos foi atropelado, caiu e teve ferimentos nas pernas; ele foi socorrido e levado ao Hospital João XXIII.

Testemunhas afirmaram que o sinal estava vermelho para os carros e que o motorista fugiu em alta velocidade pela Rua da Bahia após o atropelamento. O veículo e os ocupantes foram localizados posteriormente na região da Savassi, no Centro-Sul da capital.

A esposa do motorista, que estava no carro com os dois filhos pequenos do casal, apresentou versão diferente: disse que o veículo estava parado no sinal e que, ao abrir, o marido desviou de um carrinho de ambulante. Conforme o depoimento dela, manifestantes teriam lançado latas e garrafas contra o carro, atingindo-a na cabeça e na barriga, e ela afirmou que pediu ao marido que acelerasse para proteger as crianças. A família foi liberada, e o motorista detido.

O caso foi repercutido por políticos; nas redes sociais, a deputada estadual Bella Gonçalves afirmou que o motorista era bolsonarista e classificou o episódio como muito grave.

Decisão judicial e medidas

Ao analisar o pedido, o juiz Leonardo Vieira Rocha Damasceno considerou válida a prisão em flagrante, mas entendeu que o motorista poderia responder à investigação em liberdade. O magistrado levou em conta a ausência de registros anteriores de prisão e a natureza da acusação — tentativa de homicídio, sem ocorrência de morte — e ressaltou que a prisão antes do julgamento deve ser medida excepcional.

A Justiça manteve a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do condutor, registrando na decisão que ele trabalha como manobrista e necessita do documento para seu trabalho.

Apesar da soltura, o motorista terá de cumprir restrições: uso de tornozeleira eletrônica por 90 dias; recolhimento domiciliar das 20h às 6h durante a semana; e proibição de sair de casa durante todo o dia aos sábados, domingos e feriados, pelo mesmo período de 90 dias. Ele também está proibido de se aproximar a menos de 500 metros da vítima.

Além disso, deverá participar de acompanhamento por uma equipe multidisciplinar da Central de Acompanhamento de Alternativas Penais (Ceapa) por pelo menos três meses, prazo que poderá ser prorrogado por mais três meses. O motorista terá de comparecer mensalmente à Justiça durante seis meses para informar e justificar suas atividades e manter o endereço atualizado.

Foto: Redes sociais/ Reprodução

Fonte: Metrópoles