JustiçaVERIFICAÇÃO PARCIAL

Condomínio pede afastamento de moradora que afirmava ser casada com Elon Musk

Advogada de 42 anos é acusada de perturbação do sossego, injúria racial, ameaças e intimidação de vizinhos em Águas Claras; Justiça negou retirada imediata

25 de out., 09:09 BR
Condomínio pede afastamento de moradora que afirmava ser casada com Elon Musk
Foto: Material cedido ao Metrópoles

Uma advogada de 42 anos, alvo de reclamações por perturbação do sossego no Edifício Uptown Residence, em Águas Claras (DF), é acusada por moradores de chutar portas, ofender vizinhos e intimidar moradores no elevador. Em vídeo obtido pela reportagem, a mulher aparece confrontando uma moradora e dizendo: “Imagina meu ódio por você, dessa sua cara nojenta”.

Relatos de vizinhos

Segundo a vítima que pediu anonimato, “Antes de a gente entrar no elevador, ela disse que não adiantava fugir. Porque ela mesma teria apertado o botão para a gente conversar”. No mesmo vídeo, a acusada fala sobre a possibilidade de a moradora e uma acompanhante voltarem “para preservar a privacidade dela com Elon Musk”.

A moradora que registrou o confronto vive no 10º andar — o mesmo da advogada — local que, segundo moradores, frequentemente é palco de gritos relacionados à relação que a mulher afirma ter com o bilionário. A coluna preservou o nome da autora por entender que suas afirmações podem indicar transtorno mental.

Outra moradora relatou que, no dia em que teve a porta atingida por golpes de uma placa de ferro, “Nesse dia, ela cismou que eu tinha entrado na casa dela e roubado as coisas. Ficou me acusando no corredor e meio que me encurralou no elevador, dizendo que teria volta se eu não fosse embora para o Rio. Era muito perturbador viver naquela situação, sem ter paz dentro da própria casa, que deveria ser um lugar de descanso e segurança”.

Na manhã de terça-feira (20/10), enrolada em uma toalha, a advogada teria batido à porta de outra vizinha e chutado a porta até quase derrubá-la. A nova moradora, de 30 anos, que ocupa o apartamento há cerca de seis meses, disse que “Precisei segurar a porta para impedir que ela caísse. Antes de mim, outra moradora já foi atacada com uma barra de ferro na porta, porque ela implica com esse apartamento, que fica bem de frente para o dela”.

Moradores relatam ainda episódios de injúria racial e ameaças de morte. Em maio, uma vizinha afirma ter sido ofendida pela advogada, que, em vídeo obtido pela reportagem, aparece chamando a moradora de “preta suja”. A vítima registrou boletim de ocorrência por injúria racial na 21ª Delegacia de Polícia, em Águas Claras. Outra moradora afirmou: “Ela já me ameaçou de morte duas vezes: uma quando eu estava saindo de casa e outra, na semana retrasada, quando passei por ela na rua. Em outra ocasião, tentou me agredir, mas meu irmão e minha mãe estavam presentes”.

Os moradores dizem acionar a Polícia Militar e o Samu diante dos episódios, por acreditarem que a mulher esteja passando por um surto psiquiátrico, e reclamam da sensação de impunidade: “Nunca há punição. Ela costuma dar carteirada, dizendo que é advogada, e demonstra confiança de que não sofrerá consequências”, relatou uma moradora.

Ação judicial

O condomínio solicitou à Justiça o afastamento da advogada do imóvel, apresentando boletins de ocorrência por ameaça e injúria racial, relatos de moradores e vídeos, além de alegar que um incêndio no apartamento representou risco aos demais residentes. Em junho de 2026, o TJDFT negou o afastamento imediato, destacando que retirar alguém da própria casa é medida excepcional e que era preciso analisar melhor a gravidade e a repetição dos episódios, confrontar versões e garantir o direito de defesa.

A decisão, porém, não encerrou o processo, que segue em tramitação. Procurado, o síndico questionou a lentidão das providências: “Tem um ponto que ninguém entende. Por que, com tantas ocorrências e ação de despejo, a Justiça não anda com as providências?”, afirmou. A defesa da advogada foi procurada para comentar as denúncias e o processo judicial; o espaço segue aberto para manifestação.

Foto: Material cedido ao Metrópoles

Fonte: Metrópoles