Aliados esperam que o presidente Lula mantenha, no novo governo, a comunicação direta e constante pelas redes sociais que passou a adotar durante o segundo turno das eleições de 2026. A aposta é que parte das mudanças na estratégia de campanha, como o contato mais pessoal e a realização de lives, seja incorporada ao quarto mandato.
Do receio à adesão
Segundo relato de integrantes da campanha, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), sugeriu que Lula começasse a gravar vídeos em formato selfie depois que Flávio Bolsonaro (PL) saiu na frente no primeiro turno. Em um primeiro momento Lula resistiu, dizendo que não deixaria de fazer política nas ruas, mas acabou aderindo ao formato e percebeu a resposta positiva do público.
Para a campanha, as redes passaram a ser ferramenta para recuperar um vínculo direto com parte da população. "O velho finalmente entendeu o que a gente fala para ele desde 2023", resumiu um aliado de primeira hora.
Na reta final, Fonteles presenteou Lula com um celular e o presidente passou a enviar áudios e vídeos ao canal "Exército do Lula", criado pelo deputado André Janones (Rede-MG). Em uma live com Janones, o deputado pediu desculpas a Lula por ele ter que disputar um segundo turno contra o que chamou de um "adversário desqualificado". Na ocasião, Lula disse: "Eu, Janones, na verdade, estou até gostando, porque agora eu descobri duas coisas: as pessoas me chamam de fofinho. Quem é que não quer ser fofinho?"
Auxiliares dizem que Lula ficou "encantado" com o acolhimento nas redes e que a combinação de mobilizações nas ruas e atuação digital deu maior resiliência ao presidente durante o segundo turno.
Em seu discurso após a vitória, Lula afirmou que fará o povo participar das decisões e prometeu que a comunicação digital terá "um espaço muito grande" em seu governo.
Foto: Ricardo Stuckert
Fonte: Metrópoles

